
De acordo com informações obtidas a partir de uma entrevista ao portal Blabbermouth, o guitarrista Chris Caffery abriu o jogo sobre a atual fase do Savatage, o aclamado retorno aos palcos e o lançamento do álbum ao vivo “Madness Reigns From The Gutter (1990)”. Após um longo hiato, a banda retomou as atividades com apresentações bem-sucedidas e uma recente turnê europeia, reacendendo a esperança dos fãs por uma nova série de shows em 2027.
Caffery, que sempre foi o membro mais incisivo sobre o desejo de uma reunião, explicou que o estopim ocorreu após uma entrevista do vocalista Jon Oliva à revista Rock Hard, na Grécia, onde expressou a vontade de gravar um último disco. O comentário gerou uma avalanche de propostas de festivais, impulsionada tanto pelos fãs antigos quanto por uma nova geração. “Eu não queria outra banda. Eu nunca tentei entrar em outra banda. […] Quando você tem uma banda na qual começou a tocar há quase 40 anos, você sempre pensa no Savatage como a sua banda”, declarou o guitarrista.
Sobre o aguardado retorno aos palcos — que teve início no Brasil —, o músico descreveu a forte sensação de pertencimento, mesmo com a ausência física de Jon Oliva por questões de saúde na ocasião. “Eu estava nervoso até subir no palco. Simplesmente pareceu certo, e que era o lugar onde deveríamos estar. Era o lugar de onde nunca deveríamos ter saído”, revelou. Caffery ressaltou que Jon continua sendo o cérebro da operação, montando o repertório e trabalhando ativamente nos bastidores: “Ainda é a banda do Jon“.
O guitarrista também esclareceu os motivos pelos quais a aguardada reunião no festival alemão Wacken Open Air, em 2015, não rendeu uma turnê imediata na época. Segundo Caffery, a culpa não foi da prioridade dada ao Trans-Siberian Orchestra (TSO), como muitos especulavam, mas sim de uma tragédia nos bastidores. A morte do produtor, letrista e mentor Paul O’Neill paralisou os planos de forma abrupta. “Nós simplesmente não sabíamos o que diabos iríamos fazer. Perdemos o nosso cara. Ele era o nosso mentor, o visionário e quem juntou tudo isso”, lamentou. O grupo precisou de tempo para se reestruturar emocionalmente antes de pensar no Savatage, aguardando o momento certo e a bênção da família de O’Neill.
Relembrando suas raízes e como seu caminho se cruzou com a banda da Flórida, o músico detalhou o início da parceria na década de 1980. Na época, ele trabalhava com O’Neill no grupo Heaven e já conhecia o Savatage por atuar em uma fábrica de discos de ouro em Nova Jersey e escutar a rádio universitária WSOU. Faixas como “Holocaust” e “Sirens” já faziam parte do seu radar. Quando o produtor o convidou para integrar a formação visando a turnê norte-americana com o Dio e o Megadeth, o jovem guitarrista mergulhou de cabeça. “Ele me deu um álbum “Hall Of The Mountain King” e eu aprendi basicamente todas as músicas”, recordou.
Abordando o recém-lançado registro ao vivo “Madness Reigns From The Gutter (1990)”, capturado durante a turnê do álbum “Gutter Ballet”, Caffery celebrou a crueza e a precisão técnica daquela formação ao lado do saudoso Criss Oliva e do baterista Steve Wacholz. “Eu ouvi e pensei: ‘Puta merda, como éramos entrosados!’. Aquela formação era uma máquina”. Ele relembrou com orgulho a dinâmica com Criss e o seu papel na história do grupo: “Sempre me emociona quando as pessoas dizem: ‘Ah, não há membros originais do Savatage‘. Isso é meio incorreto […] o Savatage era um quarteto até eu chegar, e essa quinta posição foi criada para mim”.
Atualmente dividindo as guitarras com Al Pitrelli, Caffery elogiou a construção sonora da dupla, destacando que o estilo de acordes de Pitrelli cria uma massiva parede de guitarras que complementa suas bases mais tradicionais. Além de suas funções nas seis cordas, Caffery também assumiu os vocais em faixas clássicas da era Jon Oliva, como “Warriors” e “Power Of The Night”. “Você pode ouvir a influência do Jon como vocalista em mim. Eu sempre tive um tipo semelhante de aspereza na voz”, explicou o músico, revelando que o próprio Jon o encoraja a cantar por confiar na sua interpretação técnica e por enxergá-lo como um irmão mais novo no palco.
Para coroar essa nova fase, o Savatage realizou 19 apresentações muito elogiadas pela Europa neste verão, incluindo um show histórico em Pompeia, na Itália, que foi devidamente gravado para um futuro álbum ao vivo. Enquanto divide seu tempo atuando como uma espécie de mestre de cerimônias para as turnês de inverno do Trans-Siberian Orchestra, Caffery mantém o otimismo em alta. Se depender da vontade do guitarrista, o reencontro com os fãs está longe de acabar, e a expectativa é que a banda retorne aos palcos com uma agenda ainda mais robusta em 2027.
Maicon Leite atua como Assessor de Imprensa com a Wargods Press e é co-autor do livro Tá no Sangue!, e claro, editor do Arena Heavy!
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