Masters of Voices reúne fãs de rock e heavy metal em Porto Alegre
Postado em 24/08/2026


Produção: Morphine Produções e Top Link Music

Na noite do dia 13 de julho de 2026, o Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, recebeu Edu Falaschi (solo, ex-Angra) Eric Martin (solo, Mr. Big), Jeff Scott Soto (solo, Talisman, Sons of Apollo, W.E.T., ex-Yngwie Malmsteen, ex-Yngwie Malmsteen, entre outros), e Tim “Ripper” Owens (solo, ex-Judas Priest, entre outros), o Masters of Voices.

Acompanhando os vocalistas, a banda de apoio conta com músicos reconhecidos do cenário brasileiro: Marcelo Barbosa (Angra) e Leo Mancini (solo, Soto, Spektra, Wizards, ex-Noturnall, ex-Shaman) nas guitarras, Felipe Andreoli (Angra) no baixo e Edu Cominato (Soto, Spektra, Mr. Big) na bateria. A passagem pelo Brasil marca um dos momento muito especial, pois a data do show em Porto Alegre é também o dia mundial do rock.

A noite começou sob o comando da banda norte-americana Velvet Chains, que teve a missão de dar início ao espetáculo. Com uma proposta que combina o peso do hard rock com elementos do rock alternativo, o quinteto rapidamente conquistou seu espaço no palco. A formação contou com Chaz Terra nos vocais, Von Boldt e Philip Paulsen nas guitarras, Nils Goldschmidt no baixo e Jason Hope na bateria.

O repertório também reservou espaço para uma homenagem ao Rei do Rock, Elvis Presley, com o clássico “Suspicious Minds” de 1969. A escolha, especialmente simbólica para uma banda oriunda de Las Vegas, foi bem recebida pela plateia e ajudou a criar uma conexão imediata com o público gaúcho.

Depois da abertura com a Velvet Chains, chegou a vez de Edu Falaschi. A reação da plateia deixou claro, logo de cara, que aquela seria uma participação especial para os fãs gaúchos. Bastaram os primeiros acordes para o Araújo Vianna se transformar em uma grande roda de canto, com o público acompanhando as músicas de ponta a ponta.

Para quem acompanhou a trajetória de Edu no Angra, ouvir faixas como “Rebirth”, “Heroes of Sand”, “Millennium Sun”, “Waiting Silence”, “Bleeding Heart” e “Acid Rain” sempre tem um peso especial. Mais do que uma sequência de clássicos, o repertório trouxe de volta uma parte importante da história do vocalista.

uma música e outra, Edu, manteve o jeito descontraído que já é conhecido por seus fãs e pareceu bastante à vontade diante de uma plateia que o recebeu de braços abertos.

Na sequência, Jeff Scott Soto mudou novamente os rumos da noite. Com um repertório que percorreu diferentes capítulos de sua carreira, o vocalista passou por Talisman, Sons of Apollo, Journey, Yngwie Malmsteen, W.E.T. e até pelo projeto relacionado ao filme Rock Star de 2001.

O que chama atenção em Soto é a facilidade com que ele alterna entre a postura de frontman e a de alguém que simplesmente está se divertindo no palco. Mesmo nos primeiros momentos da sua apresentação a sua pedaleira de efeitos de voz ter dado mau contato, ele conversou bastante, brincoucom os músicos, provocoua plateia e parece não precisar de nenhum recurso adicional para prender a atenção. Ao mesmo tempo, quando chega a hora de cantar, não deixa dúvidas sobre o seu alcance e capacidade vocal.

Essa combinação funcionou muito bem em músicas como “One Love”, “Separate Ways (Worlds Apart)”, “I Am a Viking / I’ll See the Light Tonight”, “I’ll Be Waiting”, “Stand Up” e “Coming Home”. A apresentação teve um clima quase informal em alguns momentos, mas sempre com o nível musical esperado de um artista com uma trajetória tão extensa.

Quando Eric Martin apareceu, a noite tomou outro caminho. O hard rock ganhou o protagonismo e, para boa parte da plateia, vieram alguns dos momentos mais nostálgicos do espetáculo.

As músicas do Mr. Big foram recebidas como velhas conhecidas. “Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)”, “Take Cover”, “Wild World”, “Colorado Bulldog”, “Addicted to That Rush” e, principalmente, “To Be With You” fizeram o Araújo Vianna cantar praticamente junto com Eric.

O vocalista não precisou recorrer a grandes gestos para conquistar o público. Seu jeito tranquilo e bem-humorado combina perfeitamente com as músicas e com a imagem que construiu ao longo dos anos. Em vez de tentar reproduzir uma atitude de palco exagerada, Eric pareceu preferir algo muito mais simples: cantar aquelas músicas para quem as conhece há décadas e aproveitar o momento.

E foi justamente essa simplicidade que funcionou. Quando “To Be With You” começou, não era mais necessário conduzir a plateia. As vozes espalhadas pelo auditório fizeram esse trabalho sozinhas.

A chegada de Tim “Ripper” Owens colocou o peso da noite lá em cima. A mudança foi imediata: guitarras mais agressivas, vocais extremos e uma sequência de músicas que não dava muito espaço para respirar.

“The Hellion” e “Electric Eye” abriram caminho para “Burn in Hell”, “Painkiller” e “Breaking the Law”, colocando em evidência uma característica que continua sendo um dos grandes diferenciais de Ripper: sua capacidade de transitar entre registros muito diferentes sem perder força.

Em “Painkiller”, especialmente, ficou evidente que os anos de estrada não diminuíram a disposição do vocalista para encarar material dessa exigência. Os agudos vieram fortes e a voz manteve aquele timbre rasgado que se tornou sua marca.

Como se a sequência de Judas Priest já não fosse suficiente, Ripper ainda colocou de última hora “Highway to Hell”, do AC/DC, no repertório. A escolha caiu perfeitamente naquele momento da apresentação e levou a plateia a acompanhar mais um daqueles refrões que dispensam apresentação.

O encerramento, porém, reservou uma mudança de cenário. Para “Living After Midnight”, do Judas Priest, Ripper, Jeff Soto, Eric e Edu voltaram juntos ao palco. Os quatro dividiram os vocais em uma cena que tinha muito mais de celebração do que de disputa por espaço.

E talvez esse tenha sido o ponto mais interessante do Masters of Voices. Reunir quatro vocalistas com trajetórias tão distintas poderia facilmente resultar em uma noite baseada apenas na comparação entre eles. Não foi o que aconteceu. Cada um teve seu momento, seu repertório e sua personalidade, e o encontro final serviu justamente para colocar todos no mesmo lugar: o de músicos aproveitando a oportunidade de cantar juntos.

Outro detalhe que merece destaque foi a relação dos artistas com quem estava na pista. Em diferentes momentos da apresentação, Edu, Soto, Eric e Ripper deixaram o palco e foram até a grade, cantando próximos do público e estendendo os microfones para que os fãs assumissem parte das músicas.

Mãos foram apertadas, cumprimentos foram trocados e muitos celulares registraram de perto esses momentos. Para quem estava nas primeiras filas, a distância entre palco e plateia praticamente deixou de existir.

No fim das contas, o Masters of Voices conseguiu fazer algo que nem sempre é fácil em um evento com tantos vocalistas: dar espaço para cada artista mostrar sua identidade sem transformar a noite em uma sucessão de participações avulsas. Edu Falaschi, Jeff Scott Soto, Eric Martin e Tim “Ripper” Owens trouxeram repertórios diferentes, mas encontraram um ponto em comum no palco do Araújo Vianna.

E, quando as últimas notas de “Living After Midnight” deram lugar aos aplausos, ficou a sensação de ter assistido não apenas a uma reunião de grandes vozes, mas a uma noite construída em torno das músicas que acompanharam várias gerações de fãs do rock pesado.

Setlist:
Edu Falaschi
Acid Rain (Angra)
Millennium Sun (Angra)
Bleeding Heart (Angra)
Waiting Silence (Angra)
Rebirth (Angra)
Heroes of Sand (Angra)

Jeff Scott Soto
One Love (W.E.T.)
Separate Ways (Worlds Apart) (Journey)
I Am a Viking / I’ll See the Light Tonight (Yngwie Malmsteen)
I’ll Be Waiting (Talisman)
Stand Up (Steel Dragon)
Coming Home (Sons of Apollo)

Eric Martin
Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song) (Mr. Big)
Take Cover (Mr. Big)
Wild World (Cat Stevens)
Colorado Bulldog (Mr. Big)
To Be With You (Mr. Big)
Addicted to That Rush (Mr. Big)

Tim “Ripper” Owens
The Hellion (Judas Priest)
Electric Eye (Judas Priest)
Burn in Hell (Judas Priest)
Painkiller (Judas Priest)
Breaking the Law (Judas Priest)
Highway to Hell (AC/DC)
Heaven and Hell (Black Sabbath)

Tim “Ripper” Owens, Jeff Scott Soto, Eric Martin & Edu Falaschi
Living After Midnight (Judas Priest)

 

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