Opinião: É um sacrilégio apontar os pontos fracos na discografia “intocável” do Slayer?
Postado em 14/05/2026


O fã mais radical (ou surdo) do Slayer provavelmente já está preparando os xingamentos antes mesmo de passar do primeiro parágrafo. No entanto, por mais dolorosa que seja a admissão para os devotos do Thrash Metal, a verdade precisa ser dita: a discografia de uma das instituições mais brutais da música pesada também abriga composições sem sal. Ou até mesmo chatas.

A controvérsia começa logo na fase de ouro. Até mesmo no reverenciado “South of Heaven” (1988) — considerado por muitos o ápice criativo do quarteto —, é possível tropeçar em faixas menos inspiradas, como “Mandatory Suicide”. Avançando para “Seasons in the Abyss” (1990), já notam-se algumas oscilações sutis.

Contudo, foi com o lançamento de “Divine Intervention” (1994) que os murmúrios de insatisfação se tornaram audíveis. É um registro que transborda agressividade e ostenta uma produção propositalmente suja que torna a audição muito interessante (com destaque absoluto para as fenomenais “Dittohead” e “Mind Control”), mas algo naquelas composições já começava a dividir o público de forma mais nítida.

Como a análise aqui não esconde meu caráter de gosto pessoal, é imperativo falar sobre “Diabolus in Musica” (1998). O disco nunca desceu redondo e soa como um reflexo direto de sua época, um momento em que a ascensão do New Metal (e do metal alternativo em geral) dominava o mercado e, ironicamente, acabou influenciando seus próprios criadores. Uma audição garimpeira até revela espasmos de empolgação, mas falta aquele Slayer de outrora.

O sucessor, “God Hates Us All” (2001), manteve a mesma toada arrastada e exige certa dose de paciência para ser consumido na íntegra. Salva-se a faixa “Disciple”, que resgata a fúria dos velhos tempos com riffs e solos matadores. O problema é que o saldo final do álbum carrega muitos “poréns”.

Dando um salto para o capítulo final da banda, “Repentless” (2015) traz o mais perfeito canto de cisne que o Metal poderia exigir — coroado, inclusive, pela arte do brasileiro Marcelo Vasco. Contudo, mesmo ali, a monótona “When the Stillness Comes” sobra no repertório e poderia ter sido facilmente limada do tracklist sem causar nenhum prejuízo à obra.

No fim das contas, a dissecação de discografias esbarra na subjetividade de quem ouve. Se você é daqueles que enxerga o catálogo do Slayer como uma sucessão ininterrupta de obras-primas irretocáveis, sem espaço para a mínima crítica, deixo apenas um aviso para equilibrar a balança: eu detesto pelo menos meia dúzia de músicas do Ghost, pois, para quem me conhece, pode parecer uma heresia. Tudo questão de gosto pessoal. E para você qual a música mais chata do Slayer ou de outra banda?

 
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