
Temporada “Life Burns Faster” transforma a arena mais tecnológica do mundo em um espetáculo imersivo em 360 graus, unindo tributo a Cliff Burton e raridades no repertório
Na noite de ontem, quinta-feira (1º de outubro), o Metallica deu início a um dos capítulos mais ambiciosos de sua trajetória: a residência “Life Burns Faster”, realizada na Sphere, em Las Vegas. O concerto marcou a estreia do quarteto na famosa estrutura esférica do The Venetian Resort, tirando proveito máximo da gigantesca tela de LED em 360 graus de resolução 16K e do sistema de áudio imersivo do local.
Inicialmente anunciada com oito datas sob o selo “Only at Sphere”, a temporada teve uma procura tão alta que saltou para 24 apresentações, estendendo-se até 13 de março de 2027. Mesmo diante da complexidade de programar animações sob medida para cada faixa na cúpula da arena, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo mantiveram o formato “No Repeat Weekend” — garantindo que o segundo show deste fim de semana, no sábado (3), terá um repertório e uma produção visual inteiramente diferentes da noite de estreia.
O ápice visual: “The Call of Ktulu” engole a Las Vegas Strip
Se havia alguma dúvida sobre como Thrash Metal se adaptaria à tecnologia da Sphere, a resposta definitiva veio na segunda metade do show, durante a execução da clássica instrumental “The Call of Ktulu”, de “Ride the Lightning” (1984). Dedicada à memória do lendário baixista Cliff Burton — coautor da composição —, a performance trouxe a experiência audiovisual mais comentada da noite.
À medida que os arpejos sombrios cresciam na arena, o domo de 360 graus projetou uma reprodução hiper-realista da Las Vegas Strip, com seus icônicos hotéis e letreiros de neon cercando o público. Conforme a música atingia seu clímax pesado e cadenciado, a paisagem da cidade foi tomada pela fúria cósmica da criatura inspirada na obra de H.P. Lovecraft: tentáculos colossais e uma atmosfera apocalíptica emergiram sobre o horizonte de Las Vegas nas telas, criando a ilusão de que o monstro dominava a avenida ao redor da própria Sphere. A estética sombria da projeção, que inclusive estampou a arte oficial do merchandising exclusivo da noite de estreia, transformou o tributo a Burton em uma verdadeira imersão cinematográfica.
Resgates históricos de 12 anos no Setlist
Além do impacto visual, as 2 horas e 15 minutos de show trouxeram surpresas de peso para os fãs veteranos ao longo de 16 músicas. Após as tradicionais introduções mecânicas com “It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ‘n’ Roll)” (AC/DC) e “The Ecstasy of Gold” (Ennio Morricone), o grupo abriu os trabalhos com a velocidade de “Battery” — faixa que não ocupava o posto de música de abertura de um concerto do Metallica desde 11 de julho de 2014.
Outro grande resgate da noite foi a faixa-título “…And Justice for All” (1988), executada ao vivo pela primeira vez em mais de 12 anos (a última vez havia sido em 9 de agosto de 2014, sendo tocada ontem sem a introdução limpa). O repertório ainda desenterrou “Now That We’re Dead”, do álbum Hardwired… to Self-Destruct (2016), ausente dos palcos desde setembro de 2021, e trouxe a complexa “The Shortest Straw”.
O tradicional doodle de Kirk Hammett e Rob Trujillo apresentou “Sleepwalk My Life Away”, do álbum 72 Seasons (2023), disco que também foi representado por “Lux Æterna”. Para fechar a primeira noite no topo, a banda enfileirou uma sequência implacável com “Ride the Lightning”, “The Memory Remains”, “Seek & Destroy” e o hino “Master of Puppets”.
Maicon Leite atua como Assessor de Imprensa com a Wargods Press e é co-autor do livro Tá no Sangue!, e claro, editor do Arena Heavy!
Notícia mais antiga:


