
O supergrupo de Death Metal Left To Die confirmou o lançamento do seu primeiro disco completo, intitulado “Initium Mortis”, agendado para o dia 17 de julho sob o selo da gravadora Relapse Records. O conjunto reúne músicos históricos da música extrema: o baixista Terry Butler e o guitarrista Frederick “Rick Rozz” DeLillo (ambos ex-integrantes do Death e do Massacre), ao lado dos fundadores do Gruesome, Matt Harvey (também do Exhumed) e Gus Rios (ex-Malevolent Creation).
O projeto presta reverência direta à agressividade rústica que fundou o gênero, apresentando novas versões de faixas extraídas do catálogo embrionário do Death e também do Mantas — a primeira banda criada por Chuck Schuldiner, que contava com Rick Rozz nas guitarras e Kam Lee na bateria e vocais. Fundado em 1984 em Altamonte Springs, na Flórida, o Death figurou entre os pioneiros mais conhecidos do som Death Metal, ao lado dos californianos do Possessed. Inspirada pelo Nasty Savage, a banda foi essencial para definir a cena extrema mundial no final da década de 1980.
Durante suas recentes turnês mundiais, o Left To Die já vinha executando na íntegra o aclamado álbum “Leprosy”, além de clássicos de “Scream Bloody Gore”. A turnê pela Costa Oeste dos Estados Unidos, no final de 2023, incluiu até mesmo uma participação especial do baterista Chris Reifert (do Autopsy), que subiu ao palco em Oakland, na Califórnia, para tocar os clássicos “Infernal Death” e “Evil Dead”.
A ideia de registrar um material de estúdio surgiu das frequentes indagações do público ao longo dessas apresentações. O vocalista Matt Harvey explicou a escolha de focar nos primórdios em vez de tentar compor algo inédito na mesma veia: “Afinal, não vamos superar “Leprosy”. Eu vasculhei alegremente a miríade de demos e ensaios do Death e do Mantas procurando coisas que fizessem sentido para um disco, e acabamos optando pelas músicas que sentimos que formariam o álbum mais coeso, por isso “Skill To Kill” e “Back From The Dead” infelizmente ficaram de fora”.

Harvey detalha ainda a concepção da obra: “Encaro “Initium Mortis” como uma espécie de versão de ‘universo alternativo’ da lista de faixas do “Scream Bloody Gore”, já que muitas dessas músicas estavam circulando pelas várias formações e ensaios do Death entre os anos de 83 a 87. Fica claro para mim que as impressões digitais de Rick estão em todo o material do Mantas e em músicas como “Slaughterhouse”, então fez todo o sentido incluí-las”.
A motivação central por trás da gravação foi o resgate sonoro. O baixista Terry Butler apontou que o objetivo era fornecer uma gravação digna para fãs que só conheciam as composições originais através de mídias muito rústicas: “A maioria dessas primeiras demos foi gravada em um aparelho de som boom box, então, no momento em que alguém recebia sua demo por meio da troca de fitas, o som era quase inaudível! Achamos que essas faixas são uma boa representação do nascimento do Mantas e do Death. Este é o marco zero — onde tudo começou: três garotos de 15 anos criando a história do Death Metal”. Ele ainda destacou uma das faixas: “”Archangel” é uma ótima maneira de apresentar este álbum. É o caos controlado em sua melhor forma: cativante e cheia de riffs, com uma seção intermediária matadora e de sonoridade maligna!”.
Para o baterista Gus Rios, tocar com lendas do estilo já era a realização de uma fantasia de infância, mas o registro de estúdio elevou a experiência a um patamar surreal: “Sou um grande fã do Death, e ainda assim essas músicas eram todas novas para mim. Eu nunca prestei muita atenção no material do Mantas porque simplesmente não gosto de produção ‘nível demo’. Ouvir essas músicas com uma produção limpa e sólida, mas mantendo o clássico estilo analógico, para mim é como ganhar músicas novas do Death… O que é sensacional!”.
Rick Rozz endossou a empolgação, enfatizando a empolgação de apresentar as faixas apropriadamente aos fãs antigos. Em uma entrevista ao site Blabbermouth no final de 2023, o guitarrista já havia comentado sobre o misto de ansiedade e honra em tocar o material que ele não executava desde 1989, ano em que foi demitido por Chuck Schuldiner. “Foi bem aterrorizante no começo, especialmente quando vi que faríamos uma turnê completa”, confessou na época. No entanto, o músico ressaltou o ambiente positivo: “Tem sido uma bênção. Fiz novos amigos e reatei minha amizade com Terry. (…) É uma honra. Ninguém está com o ego inflado ou acha que alguém lhe deve algo, essa é a coisa mais legal sobre isso. Todo mundo faz o seu e se dá bem. Não tem enrolação”.
Em última análise, o álbum funciona como uma celebração da fase mais extrema do gênero e mantém viva a memória de Chuck Schuldiner, que faleceu em 13 de dezembro de 2001 após uma longa batalha contra um glioma pontino, um tipo raro de tumor cerebral.
Lista de Faixas:
“Legion Of Doom”
“Archangel”
“Power Of Darkness”
“Zombie”
“Witch Of Hell”
“Rise Of Satan”
“Summoned To Die”
“Mantas”
“Slaughterhouse”
“Death By Metal”
Maicon Leite atua como Assessor de Imprensa com a Wargods Press e é co-autor do livro Tá no Sangue!, e claro, editor do Arena Heavy!
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