Extreme: Nostalgia e virtuosismo em Porto Alegre
Postado em 30/04/2026


Produção: Like Entretenimento e Mercury Concerts
Texto: Henrique Haag
Fotos: Douglas Fischer

Na segunda-feira, 6 de abril de 2026, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, subiu ao palco o grupo norte-americano Extreme. Formado por Gary Cherone (vocal), Nuno Bettencourt (guitarra), Pat Badger (baixo) e Kevin Figueiredo (bateria), o virtuosismo em meio aos sucessos de mais de 30 anos fez o público cantar e se impressionar.

Com um pequeno atraso, pouco depois das 21h, a veterana Extreme entrou no palco com a segurança de quem sabe exatamente como conquistar uma plateia. “It (’s a Monster)”, clássico do álbum “Pornografitti” de 1990, abriu os trabalhos, ainda com direito a um breve aceno ao clássico “We Will Rock You”, do Queen, recebido com entusiasmo imediato pela plateia.

Na sequência, “Decadence Dance” (“Pornografitti”, 1990) manteve o clima lá em cima antes de “#REBEL” (do último álbum “Six” de 2023) e “Rest in Peace” (“Sides to Every Story”, 1992) reforçarem o peso e a identidade da banda ao vivo. A dinâmica do show foi um dos pontos altos da noite, alternando momentos mais pesados com passagens mais emocionais, como em “Am I Ever Gonna Change” (“Sides to Every Story”, 1992) e “Thicker Than Blood” (“Six”, 2023), que trouxeram uma atmosfera mais calma ao show.

“Play With Me”, do álbum de estréia de 1989, foi um espetáculo à parte. Técnica, velocidade e precisão arrancaram aplausos, enquanto “Other Side of the Rainbow” (“Six”, 2023) e “Hole Hearted” (“Pornografitti”, 1990) desaceleraram o ritmo, criando um contraste muito bom durante o espetáculo. Foi nesse momento que a banda encontrou espaço para mais uma homenagem, inserindo um trecho de “Crazy Little Thing Called Love”, novamente do Queen, em clima descontraído e nostálgico.

O instrumental “Midnight Express” (“Waiting For The Punchline”, 1995) evidenciou o virtuosismo do grupo, preparando o terreno para o maior clássico do grupo de todos os tempos, “More Than Words” (“Pornografitti”, 1990), onde a banda resolveu tocar o início de “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin, uma piscadela respeitosa a outra gigante do rock, que o público reconheceu de cara.

Quando o clássico “More Than Words” efetivamente começou, o auditório se transformou em um coral. Um dos momentos mais marcantes da noite, com cada pessoa presente cantando junto, criando aquela conexão que só grandes clássicos conseguem nos proporcionar.

A reta final veio carregada de energia: “Cupid’s Dead” (“Sides to Every Story”, 1992) e a mais recente “Banshee” (“Six”, 2023) prepararam o terreno para a guitarrística “Flight of the Wounded Bumblebee”, antes de outro clássico supremo da banda, “Get the Funk Out” (“Pornografitti”, 1990).

No bis, a banda voltou com a recente “Rise” (“Six”, 2023), pesada e com um solo de guitarra que mantém Nuno entre os maiores do mundo.

Mais do que um desfile de hits, o show do Extreme em Porto Alegre foi uma aula de dinâmica, carisma e respeito à história do rock. Os trechos bem encaixados, de Queen a Led Zeppelin, funcionaram como pontes afetivas, enriquecendo ainda mais uma noite que já era, por si só, memorável.

Vale destacar a performance de todos os integrantes da banda, sempre cantando e interagindo com o público. Mas a cereja do bolo foi ele: o guitarrista Nuno Bettencourt se mostrou visivelmente muito feliz durante toda a apresentação, interagindo diversas vezes em português e reforçando a proximidade com os fãs brasileiros, lembrando que o músico nasceu em Portugal e só depois foi morar nos Estados Unidos, onde fundou a banda em meados dos anos 80.

Setlist:
1. It (‘s a Monster)
2. Decadence Dance
3. #REBEL
4. Rest in Peace
5. Am I Ever Gonna Change
6. Thicker Than Blood
7. Play With Me
8. Other Side of the Rainbow
9. Hole Hearted
10. Midnight Express
11. More Than Words
12. Cupid’s Dead
13. Banshee
14. Flight of the Wounded Bumblebee
15. Get the Funk Out
Bis:
16. Rise

 

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