
Conversamos com Thiago Bianchi, vocalista do Noturnall e fundador do Estúdio Fusão, em São Paulo. Vencedor da categoria de Melhor Vocalista de 2025 pela tradicional Roadie Crew, ele se prepara agora para um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: dar voz às canções do inesquecível Andre Matos na aguardada turnê All Metal Stars, que tem início no próximo mês e passará por 16 cidades brasileiras, celebrando o legado de um dos maiores nomes do metal nacional.
Você conquistou o primeiro lugar na votação de melhor vocalista nacional da Roadie Crew este ano. Como foi receber esse reconhecimento vindo diretamente do público e o que esse momento representa na sua trajetória?
Thiago Bianchi – Bom, muito obrigado ao Arena Heavy e a você, Henrique, pelas perguntas. Obrigado pelo espaço. Cara, em primeiro lugar, quero agradecer à Roadie Crew por lembrar de mim na lista dos melhores. E, claro, mais do que tudo, acima de tudo, muito obrigado ao público por lembrar de mim, por me dar essa honra, por me dar esse espaço, por me conceder essa honraria. É um sentimento de humildade, um sentimento de abraço coletivo. Eu me sinto junto aos meus. Eu faço metal porque eu amo. É um estilo incrivelmente difícil de fazer, não só pelos motivos óbvios de estar no Brasil, cantando em outra língua, fazendo um estilo que não é bem-vindo no mainstream, mas, ainda assim, eu me sinto abraçado por muitos, que são os meus irmãos metaleiros.
Eu faço de novo, porque eu amo. Eu faço porque é um grito dentro do meu coração que diz que simplesmente tem que ser feito. Então é um prazer enorme saber que existem pessoas que admiram isso que eu estou fazendo, que está sendo feito comigo, por mim e pelas pessoas que correm comigo. Inclusive, também me sinto com essa mesma humildade pelos nomes com quem eu estava concorrendo. Grandes lendas do heavy metal. Então é algo incrível. Mas é aquela coisa: às vezes a gente quer, não tem como dizer que não, é demais estar aqui, ter sido lembrado e ter ganho essa honraria. Mas não é exatamente isso que faz a gente seguir adiante, não diminui nem aumenta. Só dá a certeza de que você está no caminho certo, e isso sim é uma coisa importante.
Então, muito obrigado. De novo, é uma sensação de humildade e de honra. Estou me sentindo muito feliz. Eu venho participando dessas votações desde que comecei a cantar, lá no Karma, com 15 anos de idade. Sempre segundo, terceiro, segundo, terceiro, sétimo, décimo primeiro, já estive em todas as colocações. Mas realmente em primeiro lugar eu nunca tinha estado. E eu acho que atribuo isso também ao fato de o Edu e o Andre não terem concorrido este ano. Obviamente o Andre, infelizmente, e o Edu porque não havia lançado nada este ano. E até o Bruno Sutter, que são geralmente os nomes com quem eu fico atrás. Mas com muita humildade, porque eu sinto que, tudo bem, é a ordem natural das coisas, eles são maiores mesmo. Mas, neste momento, é apenas uma questão de humildade e felicidade. Muito obrigado. Fico muito feliz com esse momento.
Você é conhecido por performances intensas e tecnicamente exigentes. Como você cuida atualmente da sua saúde física e vocal para manter potência e consistência durante as turnês?
Thiago Bianchi – Ah, que pergunta legal. É muito difícil. É uma vida muito regrada, muito complexa. Eu tenho que cantar todos os dias, principalmente para essa turnê do Andre, que tem sido desafiadora em um nível que há muitos anos eu não sentia. Todas as músicas do setlist são incrivelmente complicadas de cantar e complexas. É muita exigência técnica, a voz tem que estar sempre 99,9%. Qualquer 0,1% a menos já atrapalha muito.
Então, fazer atividade física para manter a respiração sempre em dia. Cantar todo dia para manter a laringe alta, principalmente nessas músicas altas. É um dia a dia, é uma rotina que se assemelha à de competidores olímpicos. É alto nível extremo. E é isso que nos faz mover para frente. É o desafio. Eu gosto muito desse desafio do metal, ele me deixa com vontade, sangue nos olhos e faca nos dentes, todas aquelas frases de efeito. Eu quero muito ser cada vez melhor, tenho um espírito competitivo muito grande.
Eu vim do esporte. Joguei futebol por muito tempo, fui federado pelo Bilac, ganhei a Copa Dan’up, quase segui carreira no futebol. Quase segui carreira no basquete, fui federado no Clube Sírio Libanês e em tantos outros lugares, no Bilac também. Fui federado, ganhei uma Copa Dan’up também no basquete. Então eu quase segui no esporte, e tenho esse espírito competitivo mesmo, de esporte. Mas também muito do coletivo. Gosto muito de trabalhar com outras pessoas, respeito muito o espaço e tudo mais. E gosto muito de levar um time para frente. Isso você pode ver pelas minhas bandas mesmo. São sempre bandas relevantes, que fazem coisas legais, onde todo mundo brilha. Não é só um ou outro. Isso é uma coisa de que eu tenho muito orgulho também.
Mas, voltando à questão do preparo, eu faço bastante exercício físico, maneiro a minha alimentação. Falar, por exemplo, dar uma entrevista para mim hoje em dia é uma coisa complexa. Eu me seguro muito para não falar, se eu tenho que cantar. Hoje, por exemplo, não vou poder cantar, porque tenho duas entrevistas. Então já sei que hoje não vou poder cantar. Quando tem show, é falar pouco, não falar ao telefone, respirar muito, tomar muita água, manter a voz sempre hidratada. Esses pigarros, inclusive, vêm muito de falar e de muito esporte também, porque você “pigarreia” muito. É complexo. Mas é gostoso. É um estudo gostoso, é pelo que eu vivo, é o meu chamado de vida. Minha mãe é cantora, então eu vivi o dia a dia do canto desde o útero. Não é novidade para mim, eu não conheço outra vida a não ser essa. Para mim, faz todo sentido.
Entre bandas, participações e produções, você está sempre envolvido em vários projetos. O que você tem preparado no momento e quais caminhos musicais ainda pretende explorar nos próximos anos?
Thiago Bianchi – Ah, eu não sou um cara que planeja muito. Conforme as coisas vão aparecendo, eu vou vendo o tamanho do meu braço, se consigo abraçar ou não. Essa homenagem ao Andre Matos é uma coisa que eu queria fazer há muito tempo, então dei um jeito de encaixar na minha agenda. Ficou bem bonito, está muito legal até agora, e a gente está muito feliz com tudo o que está acontecendo. Tem dado super certo. Equipe maravilhosa, a direção tem sido muito boa, todo mundo querendo a mesma coisa.
Um cara que eu conheci no meio do caminho foi o Cristiano Poschi, do Phornax, uma pessoa incrível. Estou muito feliz de estar trabalhando com ele, um cara nota mil, coração gigante e vocalista também. Então a gente fala a mesma língua em todas as áreas, é muito legal trabalhar com ele. Assim, tem sido relativamente fácil, apesar das músicas serem difíceis e de todo o desafio ser muito grande. Mas tem sido relativamente fácil por conta da energia positiva que todo mundo está aplicando. Eu tenho 46 bandas que estou produzindo neste momento aqui no Estúdio Fusão, então falo com pelo menos uma delas por dia. É um volume de trabalho muito grande. Isso exige da minha voz também. Falar é um negócio sério, como eu disse; o pigarro querendo me atrapalhar mais uma vez. E também o Noturnall, que é a banda com a qual eu mais trabalho, mais faço coisas e corro atrás. Apesar dessa história toda do Andre, o Noturnall tem muita coisa grande vindo por aí.
A gente tem uma turnê pela América Latina agora em julho. Vai ser bem legal, vamos passar por Equador, Peru, Chile e Argentina. Inclusive um grande festival no Equador para mais de 30 mil pessoas, que é o Tocha San Antonio. Na sequência, temos uma turnê incrível pela Europa com a banda The Heathen Sÿche e mais uma outra banda que eu ainda não posso dizer, mas é um grande nome do metal mundial. Serão mais de 30 datas pela Europa, a nossa sexta vez por lá. Já estamos confirmados no Rock Castle, no Masters of Rock, no Vagos Metal Fest e até uma participação minha no Wacken Open Air. Então eu estou muito feliz, estamos todos muito empolgados. É uma fase muito boa do Noturnall também.
No final do ano, pode ser que a gente vá para o Japão com o projeto de homenagem ao Andre Matos também. O Noturnall pretende trabalhar no disco novo em setembro e outubro. Então, assim, eu não paro. É o que eu faço da vida. Todo dia que eu saio da cama é pelo metal. Tudo o que eu faço é pelo metal. Não conheço nenhum outro assunto na minha vida que não seja heavy metal. É algo que eu faço sem pensar para fazer, sabe? Eu simplesmente vou lá e faço. Tenho muito prazer em trabalhar com isso, é o que eu amo, é o que eu sei, e é isso aí.
O projeto All Metal Stars carrega uma carga emocional muito forte ao homenagear o saudoso Andre Matos. Como tem sido para você assumir essa responsabilidade e o que o público pode esperar da nova turnê?
Thiago Bianchi – Ah, eu estou muito orgulhoso, cara. A gente mexeu na cena, isso é evidente. Depois que nasceu essa homenagem ao Andre Matos, o All Metal Stars, e junto com a Arena Produtora que nasceu meio que na mesma época, é nítido o que a gente fez na cena. Dá para ver. É só observar as coisas que aconteceram depois que colocamos esse projeto no ar.
Quanta coisa aconteceu, quantas novidades surgiram, quanta gente se mexeu que estava meio sem vontade de fazer mais coisas e, de repente, resolveu fazer coisas que até surpreenderam muita gente. Eu não vou dizer que foi só por causa da gente, mas tenho certeza de que aquele espírito competitivo de que falei na outra resposta, quando é pelo bem, é muito saudável. Porque é legal você ver uma pessoa se mexendo e pensar: “Pô, é verdade, vou fazer também”.
E, cara, quem tem a ganhar com isso é o público. É tudo por eles, é pelo público. O público celebra. Eu não vou dizer que, enquanto ele estiver celebrando, a gente vai estar fazendo só por conta da celebração dos outros, não. A gente faz porque gosta, porque ama. Mas ficamos muito felizes por existirem pessoas que têm gostos parecidos com os nossos e celebram com a gente. Isso dá mais vontade ainda de fazer mais. É muito importante que as pessoas percebam que isso foi feito com muito amor, e elas estão percebendo isso.
Iniciativas como as do grupo Arena têm fortalecido o metal nacional em diferentes frentes. Como você enxerga esse tipo de movimento hoje e, olhando para a nova geração, o que mais te anima na cena brasileira atual?
Thiago Bianchi – Eu estou muito feliz. É mais uma força do heavy metal que estava fazendo falta. Estava precisando, porque o heavy metal precisa de força o tempo inteiro, principalmente no Brasil. Então o Grupo Arena é uma iniciativa que eu vi nascer, e fico muito orgulhoso de estar fazendo parte disso e de ver isso ficar cada vez mais forte junto a nós, junto ao nosso projeto.
E tem a presença desse time de peso que eu falei. Ter o Aquiles Priester, que é um dos maiores bateristas do mundo, e ele ter topado estar aqui com a gente, ter feito parte da história do Angra, muito por conta até da história indireta que o Andre deixou, do legado que ele deixou e que influenciou diretamente a carreira dele. A mesma coisa comigo, na época do Shaman. O Edu Ardanuy, que todo mundo queria ver tocando. O pessoal, o Guilherme (Torres, Noturnall), o Saulo (Xakol, Noturnall), o Fábio (Laguna, Hangar), todos diretamente influenciados pelo Andre. E, claro, o irmão dele. Ter o Daniel Matos nessa turnê, eu não tenho nem palavras para isso. Só posso dizer que ele solidificou tudo; ele é a amálgama, é o cimento que une todo mundo ali.
Toda vez que a gente vai fazer alguma coisa, quando ele chega na sala, a gente se olha. Você vê na cara de todo mundo o quanto é importante o que estamos fazendo, não só para o público, mas para ele. A gente percebe que mexeu na vida dele também, o quanto ele está emocionado, o quanto o assunto o deixa tocado. Estamos ali juntos, ensaiando, e você sente que é diferente. O ar muda. Você passa a mão no ar e sente o clima da sala. É muito, muito legal. É um momento muito feliz. Estar com essa galera é realmente algo fora de série.
E também as bandas que estamos trazendo: o Phornax, que é uma grande força do heavy metal e uma grande promessa que agora está virando realidade; o Krakkenspit, uma banda que fizemos junto no projeto do Edu, e a galera gostou muito. Eles têm um estilo próprio, que não é diretamente ligado ao heavy metal melódico, e isso é algo que nos deixa bem felizes também, por não ter só aquela galera do metal power. E o Tierramystica, que chamou a atenção do próprio Andre Matos, além do Guy Antonioli, que é um dos grandes nomes da voz brasileira.
Então está tudo completo. A gente não vê a hora de fazer uma segunda perna dessa turnê. Tomara que dê certo. Muito obrigado pelo espaço, e a gente se vê na estrada logo mais. All Metal Stars, homenagem ao Andre Matos. A gente se vê na estrada!

Nos links abaixo é possível saber mais detalhes sobre o projeto e comprar ingressos para esta turnê.
Contatos:
All Metal Stars: https://www.allmetalstars.com
Ticket Arena: https://ticketarena.com.br

Colecionador de discos, apaixonado por shows e colaborador do Arena Heavy!
Tags: All Metal Stars • Noturnall • Thiago Bianchi
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