Trovão mostra a força da nova onda do Heavy Metal nacional com “Diamante”
Postado em 06/05/2026


O cenário brasileiro tem acompanhado o crescimento de uma safra de bandas focadas no resgate do Heavy Metal tradicional e do Hard Rock oitentista. De tempos em tempos surge uma nova leva de bandas com este propósito, e hoje, nomes como Phantom Star e Creatures pavimentam essa via, e o Trovão se firma nessa mesma linha de frente com seu segundo disco de estúdio, Diamante”. Lançado em abril de 2025 pelo selo Classic Metal Records, o trabalho de 36 minutos atesta o amadurecimento do grupo paulista após a estreia com Prisioneiro do Rock ‘n’ Roll” (2021).

Sonoramente, o álbum evidencia as influências da escola Priest e Accept, mas conta com uma produção com uma pegada atual assinada por Rodrigo Toledo. O resultado é uma mixagem limpa, que deixa bem claro os arranjos sem remover a agressividade exigida pelo estilo. A dupla de guitarristas, Alexandre Gatti e Igor Senna, aposta na elaboração de riffs diretos, dobras melódicas e solos grudentos, amparados pela cozinha bem conduzida pelo baixista Lucas Chuluc e pelo baterista Alan Caçador. Os teclados de Luke D. Couto também se destacam, fechando 100% com a proposta da banda e dando um clima ainda mais “retrô”.

Ouça:

O registro também marca uma nova versão do vocalista Gustavo. Reconhecido no underground por sua atuação no Selvageria, mais calcado no Speed/Thrash, ele substitui a agressividade latente de outrora por linhas vocais mais limpas e focadas na melodia, adequadas ao formato do Hard/Heavy, porém mantendo o vigor na interpretação. Ao vivo, assim como Marc Brito, do Creatures, se firma como um dos maiores frontmen do Metal brasileiro.

Confira:

O tracklist abre com “Preso ao Passado” e avança para “Seres da Noite”, onde a inclusão de teclados aproxima a sonoridade do AOR. O nível de feeling aumenta em composições como a faixa homônima “Trovão” (teclados e refrão super grudentos, uma maravilha!) e “Até o Fim”, esta última trazendo ótimas linhas de teclado. O andamento cai na bem estruturada “Olhos da Cidade”, enquanto a faixa-título, “Diamante”, cadencia o ritmo em mid-tempo, baseada em um trabalho destacado de guitarras. Se o ouvinte prestar atenção, a faixa tem um quê de Whitesnake.

A pesquisa histórica da banda fica evidente na oitava música do disco, com o cover de “Não Lembre Mais de Mim”. A música pertence ao Vapor, grupo carioca fundado em 1984 por músicos com histórico em nomes de peso da época, como Sangue da Cidade e Celso Blues Boy (Sérgio Vid, Julinho Maia, Beto Ibeas e Otávio Henrique). A regravação acrescenta peso à estrutura original e funciona como um elo válido entre a velha guarda do Metal brasileiro e a nova geração de bandas, que mantém viva a mesma chama de outrora.

“Sociedade Corrompida”, guiada por riffs que remetem ao Van Halen, e a empolgante “Insanidade” encerram o disco. Aliado à arte de capa feita em estilo airbrush, que remete diretamente ao aspecto visual gráfico da década de 1980, “Diamante” (com o perdão da expressão, é um verdadeiro diamante polido!) passa longe de ser apenas uma cópia do passado. O álbum comprova que o Heavy Metal clássico cantado em português segue gerando material autoral de alta qualidade, consolidando o Trovão como um dos principais representantes dessa atual geração.

E assim como o Creatures, que tocou recentemente no Keep It True na Alemanha, o Trovão tocará no Keep It True Legions, em agosto, ao lado de nomes como Savatage e Metal Church. É o Metal brasileiro finalmente conquistando seu espaço neste que é um dos maiores festivais dedicados ao Metal tradicional e à cena oitentista, assim como sempre deu espaço para bandas emergentes.

 
Categoria/Category: Destaque · Resenha de Discos
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