
Matanza Ritual comanda noite no dia 18 de dezembro, no Rio de Janeiro, ao lado de Gangrena Vodu e Catiça
O Circo Voador recebe, no dia 18 de dezembro, uma noite dedicada ao peso sem concessões. O Matanza Ritual Fest desembarca na Lapa reunindo Matanza Ritual, Gangrena Vodu e Catiça em um encontro que conecta nomes experientes, novas forças da cena e diferentes maneiras de levar o rock pesado brasileiro ao limite.
À frente do festival, o Matanza Ritual chega ao Rio em um momento de intensa atividade. Formado por Jimmy London no vocal, Felipe Andreoli no baixo, Antônio Araújo na guitarra e Amílcar Christófaro na bateria, o quarteto leva ao palco a combinação de metal, hardcore, thrash e a conhecida veia de humor ácido associada à trajetória de seus integrantes.
Jimmy London fala sobre o festival:
“Matanza Ritual fest é meu momento abrir a casa pra geral. Tô convidando geral pra essa festa de Natal degenerada na minha humilde residência, então não se façam de roçados e venham!”
O repertório passa pelo álbum “A Vingança é Meu Motor”, primeiro trabalho de estúdio do Matanza Ritual, lançado em 2025, ao mesmo tempo em que preserva a conexão de Jimmy London com canções que marcaram sua história no Matanza. A proposta é menos a de olhar para trás e mais a de transformar essa bagagem em um show de impacto, apoiado na experiência de quatro músicos com longa trajetória dentro da música pesada nacional.
No Rio, o festival ganha ainda um encontro especialmente simbólico com a Gangrena Vodu, grupo surgido na cidade em 1990 e responsável por uma das propostas mais singulares do underground brasileiro. Autodefinida como Saravá Metal, a banda combina metal e hardcore com percussões, referências e elementos ligados às religiões de matriz africana, além de uma performance teatral que faz do show parte fundamental de sua identidade. Em 2026, a Gangrena aprofundou esse universo com o EP “Ruas & Cemitérios”, trabalho centrado em cantos e percussões e inspirado em referências da Umbanda, da Quimbanda, do Catimbó, da Jurema Sagrada e das manifestações ligadas ao Povo de Rua. O lançamento reforça uma trajetória que há mais de três décadas transforma elementos da cultura popular e religiosa brasileira em matéria-prima para música extrema.
Quem abre a noite é a Catiça, representante de uma geração bem mais recente. Formada em 2024, em Londrina, no Paraná, a banda mistura punk, metal e noise em músicas curtas, riffs urgentes e vocais rasgados. Com letras marcadas por crítica, regionalismo e deboche, o quarteto vem construindo espaço na cena independente a partir de apresentações de forte caráter visceral. A formação reúne Nobu nos vocais, Dedé no baixo, Wiu na guitarra e Jordão na bateria. Depois de dois EPs e um álbum, a Catiça prepara o segundo disco, “Cereja de Xuxu”, apontado pela própria banda como o início de uma fase mais pesada de sua sonoridade.
Ao colocar as três bandas na mesma noite, o Matanza Ritual Fest constrói um recorte pouco comportado do rock pesado nacional: de um lado, a experiência e a estrada do Matanza Ritual; de outro, a identidade radical e ritualística da Gangrena Vodu; e, abrindo os trabalhos, a urgência de uma banda que ainda escreve seus primeiros capítulos.
No dia 18 de dezembro, a Lapa vira o ponto de encontro dessas três vertentes. O resultado promete ser menos uma sequência convencional de shows e mais uma noite de volume alto, energia física e personalidade — exatamente o tipo de combinação para a qual o palco do Circo Voador foi feito.
Um festival construído de dentro da cena
O Matanza Ritual Fest dá continuidade a uma história que começou ainda nos tempos do Matanza. O projeto surgiu em 2012 com a proposta de criar um festival organizado a partir da própria banda, reunindo artistas de diferentes vertentes da música pesada e adaptando as escalações a cada cidade. Naquele mesmo ano, o evento chegou ao Circo Voador, no Rio de Janeiro, com Matanza, Gangrena Gasosa, Confronto e Lacerated and Carbonized.
A ideia ganhou uma nova etapa em 2023, já sob o nome Matanza Ritual Fest. A primeira edição dessa fase aconteceu na Audio, em São Paulo, reunindo Matanza Ritual, Crypta, Black Pantera e Malvada. No ano seguinte, o projeto ampliou seu alcance e assumiu novamente um formato itinerante, com datas programadas em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo. Ao falar sobre a iniciativa naquele período, Jimmy London destacou justamente o caráter independente do festival e o envolvimento direto da banda em sua concepção, gestão e realização, definindo o projeto como um dos mais importantes de sua trajetória.
A curadoria também se tornou uma característica do evento. Em vez de trabalhar apenas com bandas de uma mesma vertente, o Matanza Ritual Fest passou a aproximar diferentes gerações e linguagens do rock pesado brasileiro. Nos últimos anos, passaram por suas escalações nomes como Crypta, Black Pantera, Malvada, Ratos de Porão, Pavilhão 9 e Allen Key. A edição realizada em março de 2025, em São Paulo, também marcou o lançamento ao vivo de “A Vingança é Meu Motor”, primeiro álbum do Matanza Ritual, reforçando o festival como uma plataforma para momentos importantes da trajetória do próprio grupo e para o encontro com outras cenas.
Serviço — Matanza Ritual Fest
Data: 18 de dezembro de 2026, sexta-feira
Local: Circo Voador — Rua dos Arcos, s/nº, Lapa, Rio de Janeiro
Abertura da casa: 20h
Catiça: 20h30
Gangrena Vodu: 21h40
Matanza Ritual: 23h
Ingressos: Eventim
Realização: Top Link Music


Thiago Rahal Mauro, jornalista, assessor de imprensa e proprietário da TRM Press e Onde o Rock Acontece
Tags: Jimmy London • Matanza • Matanza Ritual • Top Link Music
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