
Lançado em 2005, “The Black Halo” é, talvez, o disco mais diversificado e ambicioso do Kamelot. Não dá para simplesmente rotulá-los apenas como Heavy Melódico ou Power Metal, já que o grupo absorve numerosas influências nesta obra. O álbum não é um trabalho isolado: ele funciona como a segunda e dramática parte da adaptação conceitual iniciada no disco “Epica” (2003). Juntos, os registros narram a tragédia de Fausto, do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). A experiência deu muito certo e serve de resposta direta: quem critica o Heavy Metal deveria tentar entender o nosso cenário e perceber que música pesada e literatura erudita têm tudo a ver.
O fato mais insólito do álbum é a participação de Shagrath (Dimmu Borgir), provando que no Metal não deve haver desunião de estilos; afinal, Metal é Metal, independente de vertentes. Começar o disco com “March of Mephisto” foi uma escolha certeira. O início lembra de fato uma marcha, guiada por um riff pesadão de estremecer as paredes. É nesta música que Shagrath empresta sua voz, e o contraste extremo combinou perfeitamente com os vocais de Roy Khan — que, aliás, está impecável na interpretação do personagem Ariel. A faixa conta ainda com os teclados de Jens Johansson (Stratovarius).
Toda essa sonoridade mais obscura ganhou vida graças à produção magistral de Sascha Paeth e Miro, no Gate Studio, na Alemanha. A dupla de produtores ajudou a distanciar definitivamente o Kamelot daquele Power Metal tradicional, levando a banda para um terreno orquestral quase gótico.
O guitarrista Thomas Youngblood apostou forte nos riffs marcantes, como fica evidente em “When the Lights Are Down”, uma faixa que mescla momentos de puro peso com passagens mais cadenciadas. E tudo isso só funciona com tamanha precisão porque a “cozinha” faz um trabalho absurdo: as viradas criativas de Casey Grillo na bateria, somadas ao peso do baixo de Glenn Barry, dão a base necessária para que as orquestrações não tirem a agressividade da música. Outra convidada especial é Simone Simons (Epica), que brilha na belíssima e variada “The Haunting (Somewhere in Time)”, tornando-se um dos grandes destaques do disco.
Como estamos falando de um álbum altamente diversificado, é impossível não citar “Abandoned”. Trata-se de uma das baladas mais intensas e dramáticas da história do estilo, onde Roy Khan executa uma linha vocal melancólica de arrancar lágrimas. Para manter o clima teatral entre faixas tão fortes, os interlúdios cumprem um papel fundamental. “Interlude I: Opiate Soul” prepara o terreno de forma sutil; “Interlude II: Un Assassinio Molto Silenzioso”, cantada em italiano por uma voz feminina, deixa um clima de suspense impecável; e “Interlude III: Midnight – Twelve Tolls for a New Day” encerra a parte das vinhetas com um toque insano e conceitual.
Nem é preciso dizer que este álbum é essencial. Descrever cada música seria redundante, pois todas as composições são ótimas e possuem peculiaridades que tornam o disco original, muito bem embalado pela belíssima capa. “The Black Halo” cravou seu nome na história como a obra-prima absoluta do Kamelot e um verdadeiro divisor de águas que redefiniu o Power Metal nos anos 2000, servindo de cartilha para inúmeras bandas. O saldo da obra: Kamelot = peso + bom gosto + orquestrações + melodias. Um trabalho inteligente, que exige e merece ser ouvido com atenção.
Aproveitando o legado de “The Black Halo”, o vocalista Roy Khan retorna ao Brasil em outubro com a turnê “The Black Halo And Beyond”. As apresentações prometem reviver a genialidade desta fase e acontecem no dia 17 de outubro, em São Paulo, no Carioca Club, e no dia 25 de outubro, em Porto Alegre, no Bar Opinião.

Roy Khan traz turnê “The Black Halo And Beyond” ao Brasil com shows em São Paulo e Porto Alegre
Maicon Leite atua como Assessor de Imprensa com a Wargods Press e é co-autor do livro Tá no Sangue!, e claro, editor do Arena Heavy!
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