Immolation mantém a extremidade intacta com “Descent”
Postado em 25/07/2026



O Immolation não é do tipo de banda que precisa viver das glórias do passado. Quando o assunto é Death Metal, a instituição forjada em Yonkers, Nova York, no final dos anos 1980, sempre manteve uma regularidade na discografia. Ao lado de nomes como Suffocation e Incantation (formando o trio “tion”), eles pavimentaram o som extremo da Costa Leste americana com uma assinatura inconfundível: os vocais abissais de Ross Dolan, uma cozinha pesadíssima e os clássicos riffs dissonantes e tortos de Robert Vigna. E agora, batendo a marca do 12º álbum de estúdio, os caras deixam claro que a fonte de brutalidade está longe de secar, mesmo quase batendo nos 40 anos de estrada.

Diferente da pegada levemente mais expansiva vista no antecessor “Acts of God” (2022), o novo disco tende a ir direto na jugular. É um disco compacto e que vai direto ao ponto. A sensação geral é de pura claustrofobia musical do primeiro ao último acorde. É um tipo de “caos controlado”, por assim dizer.

Um dos grandes trunfos aqui é a produção, assinada por Zack Ohren. O som passa longe daquela plasticidade artificial que tem matado muito disco de Metal extremo recente. A gravação é orgânica e suja na medida certa. Você consegue ouvir perfeitamente o estalar do baixo de Dolan liderando a massa sonora, enquanto a bateria de Steve Shalaty atua como um motor enlouquecido, alternando blast beats ríspidos com quebras de andamento cadenciadas e precisas. Nos momentos mais lentos, como em “God’s Last Breath”, o peso é maciço.

O play abre com “These Vengeful Wings”, com pequenos dedilhados, intercalando quebradeira cadenciada com velocidade e um ótimo trabalho do baterista Steve, que não poupou nos arranjos com bumbos.  Faixas como “Adversary” e “Bend Towards The Dark” são pedradas frontais, onde a dupla de guitarristas Vigna e Alex Bouks despeja uma parede de riffs caóticos sem dó. Para engrossar ainda mais o caldo, a lenda viva Dan Lilker (Nuclear Assault, Anthrax, Brutal Truth) aparece destilando vocais na música “Host” (ótima entrada de bateria) e na faixa-título, gerando um duo letal com os urros cavernosos de Ross Dolan.

Sabendo exatamente como dosar o ritmo de um álbum, o grupo incluiu a penúltima faixa, “Banished”, um tema instrumental soturno que serve apenas para criar um ambiente antes da hecatombe final com “Descent”, que encerra o petardo. Tudo isso muito bem embalado por uma capa matadora assinada por Eliran Kantor. Aliás, Kantor é o Andreas Marschall dos dias atuais, tamanha inspiração que embala cada capa. Vale destacar que, curiosamente, Marschall já assinou diversas artes da banda, inclusive dos primeiros discos.

Embora eu nunca tenha sido um fã ardoroso do grupo, admito que o Immolation faz aquilo que domina como poucos: Death Metal asfixiante, ríspido e brutal, sem espaço para tendências de momento. “Descent”, simplesmente passa por cima do ouvinte como um tanque de guerra. Um lançamento – via Shinigami Records – obrigatório para fãs da banda e de Death Metal em geral.

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https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9503785-Immolation—Descent

 
Categoria/Category: Destaque · Resenha de Discos
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