Fabio Lione leva “Dawn Of Victory” ao Teatro do CIEE em Porto Alegre
Postado em 19/10/2026


Produção: Estética Torta Produções
Fotos: Giovanni Maglia

Na noite de quinta-feira, 8 de outubro de 2026, o Teatro do CIEE, em Porto Alegre, recebeu Fabio Lione para uma apresentação que focou na execução de Dawn of Victory (2000) do Rhapsody na íntegra, além de alguns outros sucessos e releituras. Acompanhado pela ACAFI (Associação Camerata Filarmônica de Indaiatuba), sob a regência da maestra Natália Larangeira, o vocalista italiano apresentou clássicos do power metal sinfônico em um formato que valorizou os arranjos orquestrais e sua formação musical.

Com a casa praticamente lotada, o espetáculo começou com a introdução “Lux Triumphans”, introdução que prepara o caminho para a faixa-título. “Dawn of Victory” abriu a sequência dedicada ao álbum de 2000 e mostrou como as composições do Rhapsody se adaptam naturalmente à presença de uma orquestra ao vivo. As melodias, os arranjos e as passagens instrumentais ganharam novos detalhes, sem perder a velocidade e o peso característicos das cancções originais.

A primeira parte seguiu a ordem original do disco, com músicas como “Triumph for My Magic Steel”, “The Village of Dwarves”, “Dargor, Shadowlord of the Black Mountain” e o clássico supremo “Holy Thunderforce”. Foi uma oportunidade de acompanhar o álbum de forma contínua, respeitando sua proposta conceitual e a combinação entre power metal, música clássica e fantasia.

A execução da orquestra foi um dos pontos fortes da apresentação. Os arranjos ampliaram as possibilidades das composições, principalmente nos trechos em que os instrumentos sinfônicos dobram com as guitarras. Uma pena que em alguns momentos, as guitarras ficaram abaixo do volume ideal, prejudicando a definição de algumas passagens. Talvez algum problema técnico ou até mesmo uma mixagem mais equilibrada teria corrigido os volumes, mas não foi nada que prejudicasse o espetáculo como um todo.

Se musicalmente o espetáculo exigia atenção, Fabio tratou de manter o ambiente descontraído. O vocalista circulou pelo teatro, subiu às galerias, caminhou entre os espectadores e cantou de diferentes pontos da casa. Entre uma música e outra, conversou com o público misturando português, italiano e inglês, arrancando piadas e se mostrando muito feliz e a vontade com os fãs.

Na sequência, o repertório foi além de Dawn of Victory e percorreu outros capítulos importantes da história do Rhapsody. “Emerald Sword” foi um dos grandes momentos, com sua melodia marcante e os arranjos que reforçaram a ligação da banda com a música erudita. “Wisdom of the Kings”, “Warrior of Ice”, “Lamento Eroico” e “The Wizard’s Last Rhymes” também marcaram presença, mostrando diferentes facetas do repertório.

Um dos momentos mais especiais aconteceu quando Fabio anunciou que cantaria a cappella. Sem guitarras, teclados ou acompanhamento orquestral, o italiano interpretou “Una furtiva lagrima”, ária da ópera L’elisir d’amore, de Gaetano Donizetti.  Com a voz ocupando sozinha o espaço do teatro, Fabio demonstrou um domínio técnico e sensibilidade quase que únicos no mundo do heavy metal.

Na parte final, Fabio saiu do universo do power metal para interpretar músicas de outros artistas. “Miss Sarajevo”, do U2, “Tears of the Dragon”, da carreira solo de Bruce Dickinson (Iron Maiden), e “Silent Lucidity”, do Queensrÿche, trouxeram uma abordagem mais contida ao espetáculo e permitiram ao vocalista explorar outras nuances de sua voz, com interpretações que valorizam a melodia e a expressividade.

Visualmente, a produção adotou uma abordagem mais discreta, próxima à de um concerto tradicional. A iluminação privilegiou os músicos, mas poderia ter acompanhado melhor as mudanças de clima e intensidade das composições. Considerando o caráter cinematográfico de boa parte do repertório, havia espaço para uma proposta visual mais elaborada.

Apesar dessas limitações técnicas, a qualidade musical sustentou a apresentação. Fabio mostrou por que seu nome permanece associado a uma das fases mais importantes do power metal sinfônico, alternando a interpretação de clássicos do Rhapsody com momentos que evidenciaram sua formação lírica e sua facilidade para se comunicar com o público.

O concerto em Porto Alegre foi, acima de tudo, uma oportunidade de ouvir composições que marcaram a história do gênero em um formato diferente. A participação da ACAFI, deu novas possibilidades a esse repertório, enquanto a espontaneidade de Fabio evitou que a apresentação se tornasse excessivamente formal. E, entre dragões, batalhas e melodias épicas, foi justamente a interpretação de “Una furtiva lagrima”, sem qualquer acompanhamento, que deixou uma das impressões mais fortes da noite.

Setlist:
Lux Triumphans
Dawn of Victory
Triumph for My Magic Steel
The Village of Dwarves
Dargor, Shadowlord
The Bloody Rage of the Titans
Holy Thunderforce
Trolls in the Dark (Instrumental)
The Last Winged Unicorn
The Mighty Ride of the Firelord
Emerald Sword
Wisdom of the Kings
The Magic of the Wizard’s Dream
Warrior of Ice
Lamento Eroico
The Wizard’s Last Rhymes
Miss Sarajevo (U2)
Tears of the Dragon (Bruce Dickinson)
Silent Lucidity (Queensrÿche)
Land of Immortals

 
Categoria/Category: Destaque · Resenha de Eventos · Resenha de Shows
Tags: •
Notícia mais recente: «
Notícia mais antiga:

TOP