
Treze anos separam “Novum Initium” (2013) deste novo trabalho de inéditas do Masterplan. Nesse meio-tempo, o grupo alemão lançou apenas o registro ao vivo “Keep Your Dream aLive” (2015) e o álbum de regravações do Helloween, “PumpKings” (2017). A demora cobrou seu preço na percepção do público, mas também serviu para estabilizar de vez uma formação que não sofre baixas desde a entrada do baterista Kevin Kott, há mais de uma década. Lançado pela Frontiers Music (e no Brasil via Shinigami Records), “Metalmorphosis” coloca ponto final nesse longo hiato de inéditas.
Engraçado pensar que Uli Kusch já não faz parte da banda desde “Aeronautics”, ou que Jari Kainulainen participou da formação clássica do Stratovarius há mais de duas décadas. Notar isso é pensar como o tempo corre rápido, e como as coisas mudam na trajetória das bandas. E analisar o Masterplan atual exige, antes de tudo, desapegar do fantasma de Jørn Lande e daquela época já distante. O que o grupo fazia nos dois primeiros discos — “Masterplan” (2003) e “Aeronautics” (2005) — pertencia a outro contexto e a outra química entre os músicos. E, aliás, não podemos esquecer o contexto: Roland Grapow e Uli Kusch queriam brilhar após sua saída conturbada do Helloween.
Gravado e produzido por Roland Grapow em seu próprio estúdio na Eslováquia, o Grapow Studios, o disco soa pesado, limpo e orgânico. A guitarra de Grapow está inspirada e casou muito bem com os teclados de Axel Mackenrott, que aqui foca em timbres mais diretos e bases de sustentação. Na cozinha, o veterano Jari Kainulainen e Kevin Kott garantem uma cozinha segura, priorizando o feeling das músicas. Em seu segundo álbum de inéditas à frente do microfone, Rick Altzi impõe um direcionamento mais calcado no Hard Rock e no Metal tradicional, com um timbre rouco e direto, sem todo o “drama” do vocalista original.
O repertório abre com “Chase The Light” e “Electric Nights” (mais powerzona), duas faixas de andamento médio para rápido que resumem bem a proposta atual: riffs marcados, solos inspirados, pontes melódicas bem trabalhadas e refrãos feitos para funcionar ao vivo. E pesadas! O ofício de Grapow como compositor aparece nos detalhes dos solos, sempre melódicos e precisos. “Shadow Man” (ótima faixa!) e “Bound To Fall” trazem momentos mistos, flertando com um peso mais cadenciado onde a voz de Altzi encontra seu melhor terreno.
O miolo do álbum traz a faixa-título, “Metalmorphosis”, e “Through The Storm”, que recuperam um pouco da atmosfera mais épica dos anos 2000, com Mackenrott ganhando maior protagonismo nos arranjos. Ainda assim, o momento de maior criatividade fica reservado para a reta final com “The Call”. Passando dos oito minutos, a composição alterna mudanças de andamento, passagens mais sóbrias e um trabalho de guitarra mais longo e elaborado. Para fechar, o disco recupera “Rise Again” — lançada originalmente como single isolado em 2024 — em uma nova versão de estúdio mais encorpada na mixagem.
“Metalmorphosis” não tenta competir com o passado da própria banda nem correr atrás de tendências do Power Metal moderno. É um disco maduro, por vezes cauteloso na estrutura das faixas, mas honesto na proposta de mostrar que o Masterplan continua sendo uma banda funcional de estúdio, e não apenas um projeto preso ao próprio passado. Particularmente, gostei muito da guinada mais pesada do álbum, ao mesmo tempo em que a banda mantém aquela pegada melódica que é característica de seus integrantes. Ouça sem medo de ser feliz.
Adquira o álbum via Shinigami Records:
https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9504078-Masterplan—Metalmorphosis
Maicon Leite atua como Assessor de Imprensa com a Wargods Press e é co-autor do livro Tá no Sangue!, e claro, editor do Arena Heavy!
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