Benediction se despediu da década de 1990 com o excelente “Grind Bastard”
Postado em 02/04/2026


A segunda metade da década de 1990 foi um período de transição para inúmeras bandas da velha guarda do Death e Doom Metal, com muitas apostando em elementos góticos, eletrônicos, industriais ou de outros estilos. A lista é grande, e podemos citar o Paradise Lost, Anathema, My Dying Bride, Entombed, Tiamat e Amorphis como referências nesse sentido.  O Benediction, no entanto, seguiu pela contramão com seu quinto disco de estúdio, “Grind Bastard”. Lançado pela Nuclear Blast, o material resgatou a agressividade direta da banda, servindo como uma resposta letal ao seu antecessor, “The Dreams You Dread” (1995), o ponto mais baixo de sua discografia, digamos assim.

O álbum foi produzido por Andy Sneap (guitarrista do Sabbat e hoje renomado por seu trabalho com Judas Priest, Megadeth e Accept, além de ser guitarrista de turnê do Judas). Na época, Sneap estava nos estágios iniciais de sua carreira como produtor, e “Grind Bastard” ajudou a provar que ele seria um dos grandes nomes da produção de Metal da geração seguinte.

O timbre de bateria de Neil Hutton e o peso das guitarras da dupla Darren Brookes e Peter Rew soam cortantes. O baixo de Frank Healy se mantém sólido, pavimentando as estruturas rítmicas do disco. A performance vocal de Dave Ingram é irretocável, destilando urros rasgados em sua última gravação antes de deixar a banda para assumir os vocais do Bolt Thrower, retornando apenas mais de duas décadas depois.

Composições como “Deadfall” e “Agonised” abrem o tracklist alternando andamentos velozes e quebras de ritmo calcadas no Groove e com uma pegada Hardcore/Punk, enquanto a faixa-título é um trator de riffs. “Neverbomb” e “Carcinoma Angel” são alguns dos destaques, diretas e agressivas.

Um dos diferenciais de “Grind Bastard” é a inclusão de três versões inusitadas, desafiando o purismo da cena extrema da época: o clássico “Electric Eye” (Judas Priest), uma interpretação arrastada para “Destroyer” (Twisted Sister) e a faixa bônus “We Are the League” (Anti-Nowhere League), reverenciando as raízes Crossover e Hardcore do baixista Frank Healy (ex-Cerebral Fix).

Registrar homenagens fora do eixo do Death Metal, no entanto, não era uma novidade para os ingleses. O Benediction já havia demonstrado essa liberdade em estúdio anos antes. No EP “Dark Is the Season” (1992), o grupo gravou uma versão pesada para “Forged in Fire”, do Anvil. No ano seguinte, no clássico “Transcend The Rubicon” (1993), prestaram reverência ao Crossover com o cover de “Wrong Side of the Grave”, do The Accüsed. Este último, aliás, para mim, é um dos melhores covers já gravados.

Diferente das capas clássicas de Death Metal e dos primeiros álbuns da banda, “Grind Bastard” apresentou uma arte mais abstrata e icônica, com uma figura humanoide vermelha (frequentemente comparada por fãs à silhueta do Homem-Aranha), marcando também visualmente uma nova fase, incluindo aí o uso de um logotipo mais simples (dá para entender isso?). Quem acompanhou revistas brasileiras de Metal na época, lembra bem dessa capa figurando nas páginas da Rock Brigade e afins. Eu particularmente acho a capa legal, talvez pela nostalgia da época.

“Grind Bastard” é um registro violento e direto. Um disco que encerrou a década batendo de frente com as inovações mercadológicas da época, provando que o Benediction tinha riffs o suficiente para manter sua relevância no underground mundial sem precisar mudar de roupagem. Depois disso, só veríamos o Benê em ação novamente em 2001, com o ótimo “Organised Chaos”, apresentando o novo vocalista Dave Hunt. Mas estas são cenas do próximo capítulo.

Ouça o disco:

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Resenha do álbum “The Dreams You Dread”, do Benediction

 
Categoria/Category: Destaque · Resenha de Discos
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